
Você sabia que segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN), os prejuízos com nematoides chegam a R$35 bilhões por ano nas lavouras brasileiras?
Segundo Santin (2008), os nematóides possuem muitos hospedeiros, o que dificulta seu controle, pois podem sobreviver durante anos no solo ou em restos culturais e são facilmente disseminados por implementos agrícolas, água (irrigação, enxurradas), animais (aderidos às patas, fezes) e material vegetal (mudas e sementes).
O manejo dos nematóides é mais difícil quando comparado a outras pragas agrícolas, uma vez que a maioria deles habitam inicialmente o solo e atacam as partes subterrâneas das plantas (Stirling 1991).
De acordo com Machado et al (2012), os métodos tradicionais de para o controle dessas pragas tem um elevado custo, além de causar grande impacto ambiental, acumulando substâncias tóxicas no solo e na água.
Contudo, o controle biológico tem-se apresentado como alternativa mais viável para o manejo de fitonematóides, por minimizar o dano ambiental e ser mais vantajoso economicamente, comparado aos métodos químicos convencionais (COIMBRA & CAMPOS, 2005).
As bactérias com atividade nematicida podem ser agrupadas de uma maneira geral como parasitas obrigatórias e não parasitas e podem impactar os nematóides pelo:
- parasitismo,
- produção de antibióticos, toxinas e enzimas
- Interferindo no processo de reconhecimento planta-hospedeiro
- indução de resistência e/ou proporcionando o desenvolvimento saudável da planta
Um exemplo de uma espécie muito utilizada como nematicida biológico é o Bacillus spp., que atuam como antagonistas de nematoides, protegendo preventivamente algumas plantas cultivadas e ainda estimulando o crescimento das plantas.
Por isso, o controle biológico com bactérias se torna uma ferramenta poderosa, pois além de ser eficaz no controle, ainda contribui com a microbiota do solo, construindo um ambiente produtivo e saudável para as culturas desenvolverem.
Referências:
COIMBRA, J.L.; CAMPOS V.P. Efeito de exsudatos de colônias e de filtrados de culturas de actinomicetos na eclosão, motilidade e mortalidade de juvenis do segundo estádio de M. javanica. Fitopatologia Brasileira, v. 30, p.232-238, 2005.
MANKAU, R. 1980. Biological control of nematode pests by natural enemies. Annual Review of Phytopathology, 18: 415-40, http://dx.doi.org/10.1146/annurev.py.18.090180.002215
SANTIN, R.C.M. 2008. Potencial do uso dos fungos Trichoderma spp e Paecilomyces lilacinus no biocontrole de Meloidogyne incognita em Phaseolus vulgaris. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil. 92p.
SIDDIQUI, Z.A. & MAHMOOD, I. 1999. Role of bacteria in the management of plant parasitic nematodes: a review. Bioresource Technology, 69: 167-179, http://dx.doi.org/10.1016/S0960- 8524(98)00122-9
STIRLING, G.R. 1991. Biological Control of Plant Parasitic Nematode: Progress, Problems and Prospects. CAB International, Wallington, UK. 282p.
TIAN, B.Y.; YANG, J.K.; LIAN, L.H.; WANG, C.Y. & ZHANG, K.Q. 2007. Role of neutral protease from Brevibacillus laterosporus in pathogenesis of nematode. Applied Microbiology and Biotechnology, 74: 372-380, http://dx.doi.org/10.1007/s00253-006-0690-1